terça-feira, 10 de junho de 2008

Os passarões

De tanto ter sido bombardeado com notícias acerca de uma pretensa crise alimentar que, garantem alguns alegados especialistas, estará prestes a chegar, decidi cultivar o meu quintal com toda a espécie produtos hortícolas e vegetais comestíveis. Embora quanto a essa parte do “comestíveis” mantenha sérias reservas relativamente a alguns…

Aparentemente a coisa até não estava a correr mal. As sementes germinaram num tempo espantosamente curto - deve ter sido das recentes chuvadas – e, para meu contentamento, pequenas plantas surgiram à superfície. No entanto estes malvados passarões, vindos sabe-se lá de onde, depressa trataram de se banquetear à custa da minha futura produção e, quiçá, reserva alimentar da família para os tempos difíceis que se aproximam se as previsões dos alegados sábios baterem certo.

Inexplicavelmente parece que este pássaros estúpidos e inúteis são uma espécie protegida e não podem ser abatidos. Diz até que é proibido montar armadilhas para os apanhar e que quem o fizer será severamente punido. Pelo menos é o que me garantem alguns colegas lavradores, companheiros de infortúnio e vitimas destes comilões alados.

Embora me apeteça exterminá-los, não o vou fazer. Vou antes convencê-los, de modo civilizado e ordeiro, a irem debicar para outra horta mais viçosa. Se não o fizerem, aí já não me responsabilizo pelo que lhes possa acontecer e que pode passar, inclusivamente, por acabarem os seus dias numa frigideira. É capaz de resultar. Ao que dizem a persuasão está na moda e é muito praticada nas estradas portuguesas…

2 comentários:

  1. Já reparou na extraordinária analogia com os "passarões" governantes?
    Comem tudo... são protegidos... nem com armadilhas se apanham...
    Também muita gente gostaria de exterminá-los... mas quanto a terminarem os seus dias na frigideira... nem para isso servem!

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  2. Se for obrigado a pôr em prática o plano de os comer fritos, diga qualquer coisa, pois não calcula as saudades que eu tenho de uns passarinhos fritos. E de umas perninhas e rã?
    Eu dou o vinho....
    Chico Manel

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